Que diferença fará 5G, que vai a leilão hoje

Valor Econômico

Por Ivone Santana — De São Paulo

04/11/2021

 A nova geração de celular está distante dos ‘tijolões’ de 1G e fará uma revolução na sociedade

O Brasil dará mais um passo hoje para tornar disponível a telefonia celular de quinta geração (5G) e seguir em direção à revolução tecnológica que promete mudar a vida das pessoas, a comunicação entre as coisas e impactar diversos setores da economia, da indústria ao agronegócio. O que é esse padrão 5G, tão falado mundialmente, que opôs Estados Unidos e China em uma guerra fria arrastando outros países, e desejado pelos brasileiros que ainda não tiveram acesso à tecnologia?

A transformação começa com o leilão de faixas de frequência que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) comanda a partir de hoje, podendo se estender até amanhã. Quinze empresas disputam os lotes de frequência – as grandes operadoras que já prestam serviço de telefonia e outras dez de menor porte que oferecem principalmente internet em banda larga por fibra óptica.

Para implantar a telefonia celular, as operadoras de telecomunicações precisam da frequência – um bem público que é vendido em leilões por todo o mundo pelas agências reguladoras. As faixas de frequência são divididas por tipo de banda e destinadas aos diferentes serviços, como transmissão de rádio, de TV aberta e por assinatura, celular, serviço privado etc. São indispensáveis, porém finitas, o que as tornam tão preciosas.

O preço mínimo da frequência mais cobiçada, de 3,5 gigahertz (GHz), em um lote nacional, é de R$ 321,35 milhões. Só os compromissos definidos no edital passam de R$ 5,2 bilhões.

Pode-se pensar nas frequências como ondas eletromagnéticas – semelhantes às de rádio e televisão que recebemos em casa – que viajam por estradas virtuais no céu. Para levar o serviço celular, as operadoras precisam comprar as licenças dessas frequências. É bom lembrar que quando preparava a privatização da operação celular, do antigo Sistema Telebras, nos anos 90, o ex-ministro das Comunicações, Sérgio Motta, costumava dizer que estava vendendo “vento”, vendendo “ar”. A brincadeira do ex-ministro, que morreu em 1998, ilustra esse tipo de ativo, que não é palpável.

As estradas virtuais por onde viajam as ondas podem ser comparadas às rodovias. Quando as rodovias estão com muito tráfego é preciso abrir outros caminhos. Também é assim com as frequências. E a cada nova geração a estrada virtual é melhor, comporta mais tráfego, novas aplicações e com qualidade superior para os serviços.

A primeira geração, 1G, trouxe celulares enormes, os ‘tijolões’, ainda analógicos e só para voz. A 2G veio com as mensagens de texto como novidade. A 3G já parecia um minicomputador e era possível navegar pela internet

A geração atual, 4G, deu um passo maior. Com mais velocidade que as versões anteriores, deu espaço à criação de múltiplos aplicativos (app). Hoje, é possível encontrar um app para quase tudo que se imaginar. E as chamadas por vídeo viraram uma febre.

Com 5G, se abre um mundo novo, com aplicações já conhecidas, mas com dificuldade de uso por causa dos limites de velocidade e da latência – o tempo que um pacote de dados leva de sua origem ao destino. Na rede 4G, a latência é de 52 milissegundos, enquanto em 5G, é de 1 a 2 milissegundos. O carro autônomo, por exemplo, vem sendo testado no tráfego real. O tempo de reação ao comando do freio automático, se mais demorado significa avançar por 3 metros até a parada completa do veículo, o que faz a diferença entre atropelar ou não um pedestre.

Se 4G conecta as pessoas, 5G vai além, dando mais fôlego à internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), à comunicação entre máquinas (M2M). Em casa, a geladeira, o fogão, a torneira, as câmeras de vigilância e outros dispositivos terão chip e executarão as funções programadas se comunicando por redes 5G. O controle de estoque dos itens na geladeira, ligar ou desligar o fogão, medir o consumo de água. Tudo pode ser automático, avisando o usuário e acionando fornecedores, se assim for programado.

Na produção industrial já se chama essa revolução de indústria 4.0. Máquinas automatizadas, robôs e todo o sistema se comunicando por uma rede privada 5G. O mesmo conceito pode ser levado a portos, aeroportos, usinas e outros negócios. No agronegócio, colheitadeiras e tratores autônomos se conectam por 5G, enquanto os sistemas recolhem dados dos chips implantados em rebanhos.

A tecnologia estará presente nas rodovias, transmitindo em tempo real os dados dos veículos e de cargas em trânsito. Nas cidades, impulsionará os dispositivos de inteligência, com monitoramento de tráfego, drones, gestão de ambulâncias e de hospitais.

Médicos poderão fazer cirurgias remotas, com o auxílio de robôs na outra ponta, sem o problema da latência. A manipulação de hologramas, na realidade virtual e aumentada, ajudará no estudo da medicina. As pessoas poderão se inserir virtualmente em um jogo de futebol e assistir às partidas de vários ângulos, ou se posicionar ao lado de seus ídolos, como se estivessem ali presentes.

Tudo isso tem um custo e não será uma realidade do dia para a noite. Depois do leilão, haverá um processo para a homologação dos vencedores e a assinatura dos contratos, com as outorgas liberadas para as empresas vencedoras no começo de dezembro. As redes serão implantadas e ativadas a partir de 2022.

O consumidor precisará ter paciência. Não bastará ter uma operadora com 5G, será preciso comprar outro smartphone compatível com as novas frequências. Do contrário, estará na rede 5G, mas navegando em 4G.

 

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