Produção industrial cai 0,4% em setembro, quarta queda consecutiva

Portal G1

Por Daniel SIlveira e Darlan Alvarenga

04/11/2021

Com o resultado, setor fecha o 3º trimestre no vermelho e retrocede para patamar 3,2% abaixo do nível pré-pandemia, segundo o IBGE.

A produção industrial brasileira caiu 0,4% em setembro, na comparação com agosto, na quarta retração mensal consecutiva, fechando o trimestre no vermelho, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, setor retrocede para patamar 3,2% abaixo do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, e 19,4% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011.

Frente a setembro de 2020, a indústria recuou 3,9%, intensificando a redução do mês anterior (-0,7%).

No ano, o setor ainda acumula expansão de 7,5%. Em 12 meses até setembro, o avanço é de 6,4%, contra alta de 7,2% nos 12 meses imediatamente anteriores, evidenciado a perda de dinamismo da indústria.

O que mais caiu

Dez das 26 atividades tiveram retração em setembro. Entre elas, os maiores impactos no índice geral de setembro vieram da queda na produção do segmento de produtos alimentícios (-1,3%) e de metalurgia (-2,5%).

“Houve queda na produção em sete dos nove meses deste ano. O que há de diferente em setembro é que a retração foi mais concentrada em poucas atividades. Mas isso não significa necessariamente que haja mudanças no comportamento predominantemente negativo do setor industrial, uma vez que ele é ainda bastante caracterizado pela perda de dinamismo”, afirma o gerente da pesquisa, André Macedo,

Resultados de setembro, na comparação com agosto, por grande categoria:

Bens de consumo semiduráveis e não duráveis: 0,2%

Bens de consumo: 0,7%

Bens intermediários: -0,1%

Bens de consumo duráveis: -0,2%

Bens de capital: -1,6%

Queda de 1,7% no 3º trimestre

A indústria fechou o 3º trimestre com queda de 1,7% na comparação com o 2º trimestre – o terceiro recuo seguido na comparação com os 3 meses anteriores.

Frente ao mesmo período do ano passado, houve retração de 1,1%, interrompendo a sequência de altas que vinha sendo registrada desde o último trimestre do ano passada.

Piora das expectativas

A indústria tem sido afetada em 2021 pela falta de insumos e pela alta nos preços das matérias-primas e de custos como o da energia elétrica. E o cenário para os próximos meses promete continuar desafiador. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), a confiança do setor caiu em outubro pelo terceiro mês consecutiva.

A inflação persistente, a crise hídrica, o desemprego ainda elevado e as elevadas incertezas fiscais e politicas às vésperas do ano eleitoral de 2022 têm piorado as perspectivas para a economia brasileira. O mercado financeiro tem revisado para baixo as projeções de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e elevado as estimativas para a inflação e para a taxa básica de juros (Selic).

O mercado projeta atualmente uma inflação de 9,17% em 2021, segundo oúltimo boletim Focus do Banco Central. Para 2022, a previsão subiu de 4,40% para 4,55%. Para a Selic, a projeção é de uma taxa de 9,25% no fim de 2021, chegando aos dois dígitos em 2022.

Para a alta do PIB deste ano, a expectativa foi revisada de 4,97% para 4,94%. Para 2022, o mercado baixou a previsão de crescimento da economia de 1,40% para 1,20%. Mas parte dos analistas já falam em estagnação e até mesmo uma nova recessão.

Pelas contas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), somente o custo mais alto da energia elétrica tirará R$ 8,2 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e resultará numa perda de de 166 mil empregos.

 

 

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