Órgão da ONU alerta para perda de água na Amazônia

Valor Econômico
Por Assis Moreira — De Genebra
06/10/2021 05h01

 

Situação é tema de “preocupação quando se trata de ciência climática”, afirma secretário-geral da OMM

A região amazônica tem perdas de água que representam um risco para o mundo, alertou ontem o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Petteri Taalas, ao apresentar relatório de agências das Nações Unidas sobre “O Estado dos Serviços Climáticos 2021”.

“Precisamos despertar para a crise iminente da água”, disse Taalas, destacando que riscos relacionados à água, como secas e inundações, estão aumentando globalmente por causa da mudança climática. “Isso traz alterações nos padrões de chuvas e estações agrícolas, com grande impacto na segurança alimentar e na saúde e bem-estar humano.”

Nos últimos 20 anos, o armazenamento da água terrestre – a soma de toda a água na superfície da terra e no subsolo, incluindo a umidade do solo, neve e gelo – caiu a uma taxa de 1 cm por ano. As maiores perdas estão ocorrendo na Antártica e na Groenlândia, mas muitos locais de baixa latitude altamente povoados estão sofrendo perdas significativas de água.

Taalas acrescentou nessa situação o Himalaia, a Ásia Central, a América do Sul, o Alasca e o Canadá. “E também temos visto perdas de água na América do Sul, como na região amazônica, que é uma má notícia, quando se trata dos ecossistemas de lá.”

Questionado pelo Valor sobre o perigo dessa situação na Amazônia, o secretáriogeral da OMM respondeu que esse é um “tema de preocupação quando se trata de ciência climática”, mencionado um recente relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) prevendo uma queda na umidade do solo na Amazônia.

“No pior dos casos, isso significaria que estaríamos arriscando esse ecossistema. E, claro, no momento, os principais desafios na Amazônia é o desmatamento, um dos fatores que contribuem para o aumento do dióxido de carbono em todo o mundo.”

No longo prazo, acrescentou Taalas, a queda da precipitação e as temperaturas mais altas na Amazônia são um risco para todo o ecossistema. A América do Sul é, entre todas as regiões, a que tem em todo caso o menor estresse hídrico, segundo a FAO, agência da ONU para Agricultura e Alimentação.

Segundo o relatório, deve aumentar o número de pessoas que sofrem de estresse hídrico, exacerbado pelo aumento da população e pela diminuição da disponibilidade de água. A gestão, monitoramento, previsão e alerta precoce são fragmentados e inadequados, e os esforços globais de financiamento climático são insuficientes.

O relatório da OMM juntamente com outras 20 organizações internacionais, agências de desenvolvimento e instituições científicas destaca a necessidade de ações urgentes para melhorar a gestão cooperativa da água, adotar políticas integradas de água e clima e ampliar o investimento nesse setor.

A situação está piorando pelo fato de que apenas 0,5% da água no planeta é aproveitável e disponível em água doce.

Taalas observou que, somente no último ano, houve uma continuação de eventos extremos, relacionados com a água. Em toda a Ásia, chuvas extremas causaram inundações maciças no Japão, China, Indonésia, Nepal, Paquistão e Índia. Milhões de pessoas foram deslocadas e centenas foram mortas. E isso ocorreu não apenas no mundo em desenvolvimento. As enchentes catastróficas na Europa causaram centenas de mortes e danos generalizados, disse ele.

“A falta de água continua a ser um grande motivo de preocupação para muitas nações, especialmente na África.”

Mais de 2 bilhões de pessoas vivem em países com escassez de água e sofrem a falta de acesso a água potável e saneamento. No total, 3,6 bilhões de pessoas enfrentam um acesso inadequado à água pelo menos um mês por ano. Os riscos relacionados à água têm aumentado em frequência nos últimos 20 anos. Desde 2000, os desastres relacionados às enchentes aumentaram 134%, e a frequência das secas cresceu 29%.

Uma Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) é considerada vital. Mas 107 países continuam longe de atingir o objetivo de administrar de forma sustentável seus recursos hídricos até 2030. O Brasil é considerado em situação bem melhor e não está nesse grupo.

 

 

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