Na pandemia, CEO tem novos papéis

Valor Econômico

Por Rosangela Capozoli

05/11/2021

As mudanças no comando das empresas foram discutidas no fórum Comunicação Corporativa, realizado pelo Valor e pela Aberje

 

Como conservar a saúde dos negócios mantendo o bem-estar dos colaboradores? Para lidar com esse desafio trazido pela covid-19, o comando das empresas teve que assumir novos papéis. Pode-se dizer que há um CEO antes e outro depois da pandemia.

Essas mudanças foram discutidas no terceiro painel do fórum on-line Comunicação Corporativa, realizado pelo Valor e pela Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial)

Mediadas pela comunicação, as companhias saem da crise mais maduras, mais próximas dos seus colaboradores e estabelecendo o “híbrido” como um sistema de trabalho que veio para ficar. Muitas empresas se esforçam para ser vistas como um “porto seguro” pelos seus funcionários.

“O CEO precisa atuar e garantir a sustentabilidade de seu negócio em um ambiente que não será exatamente o mesmo que antes”, observou Teresa Vernaglia, CEO da BRK Ambiental, um dos maiores grupos privados de saneamento básico do país. Ela cita a questão emocional, um tema “novo na agenda”. Essa inquietação levou a BRK a introduzir em seu programa de desenvolvimento para líderes “a questão da gestão do luto e do emocional”.

O desafio no pós-pandemia é aprender a trabalhar em um mundo híbrido, afirmou Marta Díez, CEO da Pfizer Brasil. Multinacional farmacêutica, a “Pfizer tem um propósito muito claro: a importância do engajamento. Mas como criar esse espírito quando parte dos colaboradores está em home office? Esse é o novo papel do CEO”, afirmou.

Para Isabella Wanderley, general manager e vice-presidente corporativa da Novo Nordisk no Brasil, o que a pandemia trouxe a intensificação de funções. “É preciso ser um guardião dos valores e dos propósitos da organização. Muita coisa já mudou, mas outras virão e o CEO tem que ser o agente dessa transformação, sejam elas quais forem.”

“O CEO de antes e o de depois são pessoas diferentes. O segredo do pós pandemia é justamente nos apropriarmos desse aprendizado e deixarmos que as lições tragam um novo ambiente de trabalho”, disse Roberto Parucker, presidente da Eletronorte, Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A. “Em março de 2020 tivemos de colocar 70% da empresa em home office e foi um desafio muito grande. Aprendemos não mais a falar para as pessoas, mas falar com elas, escutar, entender suas necessidades.”

A executiva da Novo Nordisk lembrou que o virtual trouxe desafios, mas também estimulou a criatividade. “Perdemos o local do cafezinho, que é o lugar de maior cultura dentro de uma organização, e tivemos que reinventar. Criamos plataformas como ‘saúde não se pesa’, mostrando que a obesidade não é sobre estética, mas sobre saúde e trouxemos os médicos para esse mundo digital”, disse.

Servindo 16 milhões de usuários, a BRK enfrentou também aumento da inadimplência com a crise sanitária. Respondeu adotando nova gestão, identificando mecanismos de negociação, adotando canais mais próximos do consumidor. Teresa lembrou que com a aprovação no Congresso do novo Marco Regulatório, em 2020, a companhia teve que lidar com várias frentes ao mesmo tempo.

A Pfizer, por sua vez, tornou-se mais conhecida com a produção da vacina. “Nós tivemos a função de educar fazendo lives, reuniões com médicos, divulgando a ciência de forma que as pessoas entendessem não apenas a importância dessa vacina, mas das vacinas em geral”, afirmou Marta.

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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