Municípios com ‘DNA sustentável’ recebem R$ 1,6 bi

Alternativa à política ‘antiambiental’ de Bolsonaro, agências de fomento bancam projetos que ajudam a transformar cidade

 

O Estado de S.Paulo
Adriana Fernandes*
18 de outubro de 2021

 

BRASÍLIA – Conhecidas como bancos de “última milha”, as agências de fomento brasileiras irrigaram R$ 1,6 bilhão para o financiamento de projetos dos municípios com “DNA” de desenvolvimento sustentável, entre 2019 e 2020. Esse mapa acaba de sair do forno, com base em levantamento de dados dos 5.570 municípios brasileiros.

O estudo apontou que 9% dos R$ 18,8 bilhões emprestados pelas instituições financeiras de fomento tiveram como destino projetos de infraestrutura sustentável, como saneamento básico, habitação, energia renovável, eficiência energética e resíduos sólidos. 

Em municípios pequenos, esses projetos têm o potencial de mudar a economia da cidade, como é o caso de Andrelândia. A cidade mineira de 12 mil habitantes, com casario colonial, recebeu um financiamento para um projeto de iluminação e eficiência energética que, além de reduzir custos, vem beneficiando o turismo local.

“São projetos concretos e que estão transformando a vida das pessoas”, diz o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento (ABDE)Sergio Gusmão. A radiografia será apresentada na Confederação das Unidas para Mudanças Climáticas (COP26), que começa em 31 de outubro, em Glasgow, na Escócia.

Gusmão explica que o apelido de “banco de última milha” está relacionado à proximidade que essas instituições financeiras têm com os problemas locais. Elas atuam em parceria numa espécie de cascata em que o recurso vem dos financiadores internacionais e do setor privado nacional para uma aplicação direta na ponta.

Essas fontes se tornaram uma alternativa ainda mais relevante diante da política “antiambiental” do governo. 

Ao arrastar o Brasil para o isolamento no cenário internacional, o presidente Jair Bolsonaro acabou por fortalecer as pontes e o canal direto de diálogo das instituições de fomento com os financiadores internacionais de projetos sustentáveis, principalmente para municípios menores.

Com a experiência do financiamento de projetos municipais nos últimos dois anos, a ABDE, que reúne 31 bancos e agências de fomento no Brasil, começou a preparar há três meses, com especialistas, um plano nacional de desenvolvimento sustentável. O documento será apresentado aos presidenciáveis no início de 2022.

‘Sexo dos anjos’

O grupo quer estimular o debate sobre o desenvolvimento sustentável e o combate à desigualdade. O desafio é evitar o que houve nas eleições de 2018, quando os temas ficaram fora da pauta dos candidatos.

“Em vez de discutirmos o sexo dos anjos, vamos discutir projetos concretos que vão transformar para melhor a vida dos municípios e das pessoas”, diz Gusmão. “As pessoas moram nas cidades. Elas conseguem reconhecer os seus bairros, as ruas. Podemos transformar essas cidades para melhor e tornar esse um tema de comunicação na campanha eleitoral.”

Gusmão vê oportunidades para o Brasil ampliar rapidamente o financiamento de infraestrutura sustentável para os municípios com instrumentos mais contemporâneos de instrumentos financeiros.

Partilha 

R$ 18,8 bi foi o total emprestado pelas instituições financeiras de fomento, entre 2019 e 2020. 

R$ 1,6 bi do valor, ou seja, 9%, destinou-se a projetos de infraestrutura sustentável de municípios.

R$ 1,3 bi dos R$ 1,6 bi foi para a área de saneamento, que concentrou a maior parte do bolo.

R$ 307,9 mi se destinaram a projetos da área de habitação.

R$ 26 mi foram para diferentes tipos de projeto de Desenvolvimento Sustentável (R$ 12,3 mi para eficiência energética, R$ 5,8 mi para iluminação pública, R$ 4,18 mi para resíduos sólidos, R$ 3,01 mi para geração de energia renovável e R$ 715,5 mil para infraestrutura).

R$ 2,1 mi formam a fatia destinada para infraestrutura escolar.

Investimentos nas cidades encurtam a distância para metas globais

O financiamento de projetos dos municípios permite aos bancos de desenvolvimento obter subsídios na busca por cumprir as metas da Agenda 2030. O desafio da ação global é erradicar a pobreza sem comprometer a qualidade de vida das próximas gerações.

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), Sergio Gusmão, alerta que outros países emergentes estão numa direção bem mais acelerada de desenvolvimento sustentável do que o Brasil. Ele cita Colômbia, Costa Rica, Chile e Vietnã. 

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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