Mudança na Pnad vai afetar cálculos de inflação e PIB, informa IBGE

O Estado de S.Paulo

Daniela Amorim

21 de outubro de 2021

 

Dados serão referentes ao trimestre encerrado em setembro, mas toda a série histórica da pesquisa iniciada em 2012 será recalculada, conforme anunciado anteriormente pelo órgão

 

Uma mudança no cálculo de indicadores do mercado de trabalho vai afetar também o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação oficial do País, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão estatístico divulgará em 30 de novembro a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua ) sob uma nova ponderação, que ajusta os pesos das informações coletadas conforme idade e sexo de informantes.

Os dados serão referentes ao trimestre encerrado em setembro, mas toda a série histórica da pesquisa iniciada em 2012 será recalculada, conforme anunciado anteriormente pelo órgão. O IBGE ajustava os resultados da coleta da Pnad Contínua para o tamanho da população de cada unidade da federação. Agora, o instituto ajustará também as informações em relação à distribuição das pessoas por idade e sexo. 

O órgão acredita que reduzirá assim os problemas de vieses na coleta, agravados pela interrupção de entrevistas presenciais durante a pandemia de covid-19, que derrubou a taxa de aproveitamento da amostra. A coleta telefônica de dados sobre o mercado de trabalho no País aumentou a incidência de respostas de mulheres e idosos, que podem influenciar o desempenho da taxa de desemprego e do emprego formal, por exemplo.

“Conforme exposto anteriormente, o novo método de ponderação mitiga o viés de não resposta e cobertura, porém não os soluciona completamente. Assim, adicionalmente à mudança metodológica, a partir de 01 de julho de 2021, o IBGE passou a adotar medidas de flexibilização das atividades presenciais de coleta de pesquisa, buscando aumentar substancialmente o percentual de entrevistas realizadas”, ressaltou o IBGE, em nota técnica divulgada nesta quarta-feira, 20.

A mudança atual está calcada nas projeções populacionais baseadas em dados do Censo de 2010 e será revista mais uma vez quando houver publicação dos resultados do Censo Demográfico 2022.

Os recortes especiais anuais produzidos através da Pnad Contínua também serão afetados, assim como outros indicadores construídos com dados da pesquisa, como índices de preços e o PIB. A partir de dezembro, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) e Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) passará a incorporar a nova ponderação da Pnad Contínua no cálculo dos subitens empregado doméstico e mão de obra para reparos em domicílio. Ou seja, a mudança ocorrerá nos dados que serão divulgados em janeiro de 2022, referentes ao último mês de 2021. Quanto ao Sistema de Contas Nacionais, os novos pesos serão incorporados a partir de novembro de 2021 para o cálculo do PIB referente ao quarto trimestre. Não haverá mudança na série histórica de nenhum desses indicadores.

“O quanto impacta nos resultados da inflação e do PIB é uma incógnita no momento. Só saberemos quando divulgarem os dados da Pnad”, disse Roberto Olinto, ex-presidente do IBGE, onde também foi diretor de Pesquisas e coordenador de Contas Nacionais.

Segundo Olinto, as informações obtidas pela Pnad Contínua são usadas pelos índices de preços no cálculo da variação da renda média de empregado doméstico e de mão de obra para pequenos reparos. No PIB, as principais informações aproveitadas da Pnad são as referentes a empregadores e trabalhadores por conta própria, usadas no cálculo da renda gerada pelas famílias brasileiras.

Ele defende que as mudanças deveriam ter sido esmiuçadas em divulgações diferentes, uma vez que afetam alguns dos principais indicadores econômicos do País. A série histórica da Pnad Contínua ajustada pela nova ponderação merecia ser divulgada antes do próximo resultado a ser publicado, referente ao trimestre encerrado em setembro, opinou Olinto, atualmente pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

“De maneira que o mercado já teria dimensão do impacto da mudança e poderia se preparar para a série com os novos períodos a serem divulgados em novembro. Então seriam na verdade três etapas: a etapa da divulgação metodológica; a série já divulgada, mas atualizada com os pesos; e por fim a próxima divulgação. Isso seria uma divulgação dentro dos padrões de qualidade para evitar turbulências de mercado, dado que impacta índices de preços, contas nacionais e taxa de desemprego”, justificou Roberto Olinto. 

 

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