Itaú espera queda do PIB no período eleitoral, vê inflação no limite e juro a 11,75% em 2022

Folha De São Paulo

Por Eduardo Cucolo

18.Nov.2021 

Instituição estima que economia já parou de crescer neste segundo semestre

 O banco Itaú manteve a previsão de contração da atividade econômica no próximo ano, passou a ver uma inflação no limite da meta e projeta que a taxa básica de juros chegará a 11,75% em 2022.

De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira (18) pela área de Pesquisa Macroeconômica da instituição, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deve ficar em 4,7% neste ano, valor inferior ao projetado anteriormente, de 5%.

As projeções indicam um PIB estável (variação de 0%) nos dois últimos trimestres deste ano, com expansão dos serviços e contração da indústria e do comércio.

“Para 2022, mantemos nossa projeção de queda no PIB de -0,5%, principalmente devido à contração esperada na demanda agregada por causa do aumento de juros”, afirma o banco no relatório assinado pelo seu economista-chefe, Mario Mesquita.

Para a instituição, o primeiro trimestre de 2022 se beneficiará de um crescimento forte e pontual do PIB agropecuário e do efeito do aumento do salário-mínimo sobre o poder de compra das famílias, mas é esperada contração nos três trimestres seguintes.

O Ministério da Economia diminuiu na quarta (17) a expectativa oficial para o crescimento do PIB deste ano de 5,3% para 5,1%. Para 2022, a previsão caiu de 2,5% para 2,1%.

A projeção de inflação para este ano está em 10,1% (7 pontos percentuais relacionados a combustíveis, energia elétrica e alimentos). Em 2022, o IPCA ficaria no limite da meta, de 3,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual.

O banco diz que a inflação de bens industriais segue pressionada e mostra maior persistência dos efeitos de gargalos de produção em alguns setores, com impacto sobre itens cuja demanda aumentou na pandemia, como eletroeletrônicos.

O Itaú passou a projetar uma taxa Selic de 11,75% no primeiro trimestre de 2022, após a decisão do Banco Central de acelerar o ritmo de alta de juros em outubro, para 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano, e sinalizar que deve repetir o aperto em dezembro.

“Acreditamos que a manutenção do ritmo de ajuste de 1,5 p.p. e a Selic em patamar significativamente contracionista ajudarão no processo de desinflação, mesmo que não sejam suficientes para garantir a convergência para a meta em 2022.”

O banco avalia que a PEC dos Precatórios, que muda a correção do teto de gastos e dá o calote em parte das dívidas judicais, seja aprovada e que o déficit primário aumente de 0,6% do PIB (R$ 55 bilhões) em 2021 para 1,5% do PIB (R$ 140 bilhões) no próximo ano. A dívida bruta passaria de 82% para 86% do PIB.

“A alta do endividamento e dos gastos públicos, em meio a juros elevados e crescimento baixo, sugere riscos maiores de retorno a uma trajetória fiscal insustentável à frente”, diz o banco.

A instituição manteve a projeção de taxa de câmbio em R$ 5,50 no final de 2021 e de 2022. Para o Itaú, o aumento da taxa básica para patamar substancialmente maior do que o observado em outros emergentes permitiria uma apreciação da moeda.

No entanto, incertezas domésticas, especialmente relacionadas à evolução das contas públicas, somadas a um cenário de aumento de pressões inflacionárias globais e antecipação da elevação dos juros nos EUA, ainda pressionam a moeda nacional.

 

 

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