Inteligência artificial identifica vazamentos em redes de distribuição

Soluções contribuem com o combate aos efeitos da crise hídrica

Por Jacilio Saraiva — Para o Valor, de São Paulo
21/09/2021 05h01 Atualizado há um dia

Empresas ligadas a novos métodos de purificação, controle de perdas e saneamento estão desenvolvendo soluções que podem ajudar no combate à crise hídrica. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada com 572 empresas, aponta que 34% estão preocupadas com um possível racionamento de água e 30% temem o aumento do custo do recurso.

Na Stattus4, de Sorocaba (SP), o carro-chefe é uma solução que usa inteligência artificial e sensores para encontrar vazamentos em redes de distribuição. “É como se tivéssemos um ‘ouvido biônico’ capaz de identificar pontos de vazamento”, diz a CEO, Marília Lara Marcondes, com contratos em 30 cidades de cinco Estados.

De acordo com Marcondes, em um dos clientes, uma autarquia que atua no interior paulista, a tecnologia conseguiu recuperar 24 metros cúbicos por hora de água potável na área coberta pela ferramenta. A startup analisa o consumo e parâmetros de distribuição para localizar perdas e fraudes. A Stattus4 faturou cerca de R$ 1,5 milhão no ano passado e deve fechar 2021 com R$ 2 milhões.

Somente em 2020, em todos os trabalhos efetuados, identificou 2,6 mil pontos de vazamento que, somados, equivalem a 14 piscinas olímpicas de água perdida, ao dia. “Esse volume seria suficiente para abastecer 300 mil pessoas ou a população de Palmas (TO)”, compara.

A multinacional alemã Gemü, no Brasil há 40 anos, oferece válvulas desenvolvidas para evitar a corrosão e o desperdício de água nos dutos. Em janeiro, apresentou um novo modelo, indicado para estações de tratamento e de dessalinização, que vem com um sistema eletrônico que regula a vazão.

De acordo com Mateus Souza, gerente geral de vendas da área industrial da Gemü do Brasil, as entregas da empresa para fábricas e o agronegócio aumentaram 40%, entre janeiro e agosto, por conta do novo dispositivo e do maior interesse do mercado após o anúncio do marco legal do saneamento. Sancionada em julho de 2020, a lei prevê expandir serviços de saneamento até 2033, com 99% da população atendida com água e 90% com tratamento de esgotos.

Na Katu Tecnologias Sustentáveis, negócio social com sede em Belém (PA) que atua com captação de água pluvial, os contratos antes restritos ao Pará chegaram a Minas Gerais e São Paulo. O portfólio inclui sistemas de captação de baixo custo, baseados em tambores de plástico e mecanismos de filtragem para residências, empresas e agricultura familiar, explica o diretor comercial Noel Orlet.

O número de clientes passou de 16 para 26, entre agosto de 2020 e agosto de 2021, com 7,3 mil pessoas beneficiadas. Do total das vendas, a maioria ou 44% são para residências urbanas, antes de propriedades rurais (33%) e mineradoras (7%).

Segundo Orlet, dependendo do índice de chuva e do consumo, os clientes economizam, em média, 58% do recurso, ao mês. No último ano, a Katu desenvolveu um sistema para escolas e fechou um contrato com a Nexa Resources, companhia de metais da Votorantim, em um projeto em Minas Gerais.

Luiz Fazio, presidente da paulista Biosaneamento, também conquistou grandes clientes como Iguá e Energisa. O negócio, fundado em 2018, oferece soluções para a falta de saneamento básico, envolvendo comunidades e empresas do setor. Usa infraestruturas modulares e de fácil implantação, além de tratar esgotos sem adição química. Já beneficiou mais de 500 famílias.

Na baiana Sustainable Development and Water For All (SDW), um dos destaques é o Aqualuz, dispositivo de uso doméstico que purifica água não-potável usando a luz solar, sem produtos químicos ou filtros descartáveis. Criado em 2013, é usado por quatro mil pessoas, segundo a CEO Anna Luísa Beserra. A invenção recebeu um prêmio da ONU, na área de meio ambiente, em 2019.

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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