Fundo de pensão do Canadá planeja ampliar investimentos no país

Valor Econômico

Por Rita Azevedo

28/10/2021

Intenção é parte da estratégia de aumentar participação em emergentes, disse chefe do braço de investimentos do fundo de pensão do Canadá para América Latina

 

O fundo de pensão do Canadá (CPP) pretende elevar em até R$ 50 bilhões os investimentos no Brasil nos próximos anos como parte da estratégia de aumentar a participação em mercados emergentes, disse ontem Rodolfo Spielmann, chefe do braço de investimentos da entidade para a América Latina, na Live do Valor.

“Atualmente, temos 21% do portfólio em países emergentes e o objetivo é chegar a 33% daqui a quatro ou cinco anos. Queremos investir na região [América Latina] entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões a mais, e metade disso, entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, só no Brasil”, afirmou.

Segundo Spielmann, o país tem potencial para ser um grande destino de investimentos e poderá atrair estrangeiros, independentemente da alta de juros no exterior. Para isso, no entanto, a “lição de casa” deve ser feita. “O mundo tem capital e vai continuar tendo capital para investir. Então, depende muito mais de fazer as reformas, como a do setor de saneamento, que para mim é um case”, afirmou.

Considerando as eleições do ano que vem, Spielmann prevê um aumento da volatilidade, mas espera que o Brasil continue “atrativo e estável” e que as reformas econômicas continuem após o pleito. “Para nós, o mais importante é a institucionalidade, que é forte no Brasil e que deve continuar forte.”

Para os próximos 12 meses, ele acredita na possibilidade de novas privatizações, além das que “já estão andando”. “Espero que a perspectiva de reformas não se perca de vista e não seja atrasada ou até adiada por causa da eleição. Espero que não, porque o Brasil precisa e o capital está disponível. É necessário somente criar as condições.”

Durante a live, ele comentou a situação fiscal do Brasil, afirmando que atualmente “está complicada”, mas destacou que as perspectivas econômicas para o país são positivas, considerando o que já foi feito em termos de reformas e privatizações. “Tivemos algumas conquistas nos últimos anos, mas ainda há muito caminho pela frente. Essa é só a largada”, disse

Spielmann também chamou a atenção para a necessidade de continuidade à corrupção. “Como investidores institucionais, vemos a luta contra a corrupção como algo fundamental. Se o investidor tiver dúvida sobre transparência nos processos fica difícil atrair investimento estrangeiro.”

Outro desafio do país “no curtíssimo prazo” é a redução dos níveis de desmatamento. Para ele, o Brasil trabalha há décadas na criação de “regras do jogo” e sistemas de acompanhamento, mas recentemente deixou de cuidar do tema como deveria. “Não se trata de mudar leis ou criar novas. Trata-se de cumprir. Quem desmata ilegalmente tem que ser punido, tem que ser fiscalizado, e isso não é uma questão ideológica”, disse.

 

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