FGV Ibre corta previsão de PIB a 4,8% em 2021 e 0,7% em 2022 com piora das condições financeiras e incertezas

Valor Econômico
Por Marsílea Gombata
11.Nov.2021

Os choques inflacionários e o cenário fiscal incerto estão piorando as condições financeiras do Brasil, desancorando expectativas sobre a economia. Com isso, o componente cíclico do Produto Interno Bruto (PIB), mais sensível a choques e estímulos monetários, está levando a novas revisões de crescimento, alerta o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O instituto revisou a projeção de crescimento do PIB em 2021 de 4,9% para 4,8%. Para 2022, agora espera crescimento de 0,7%, de 1,5% anteriormente.

“O que estamos vivendo é um choque inflacionário, que não é só doméstico e vem sendo anabolizado por um cenário extremamente incerto e uma visão muito negativa sobre sustentabilidade fiscal, gerando mais incerteza e piorando as condições financeiras, o que leva a um ciclo de alta de juros maior”, afirma Silva Matos, coordenadora do Boletim Macro, do FGV Ibre. “Tudo isso faz com que o PIB cíclico [componente do PIB sujeito a choques e estímulos monetários] seja recessivo no ano que vem.”

Silvia argumenta que as projeções de crescimento para 2022 podem estar encobertas por previsões de bom desempenho de setores como o agropecuário e afirma que a economia brasileira pode estar correndo a duas velocidades distintas, representadas pelo PIB cíclico e pelo PIB exógeno. Enquanto o primeiro considera apenas os setores mais diretamente relacionadas ao ciclo econômico, o segundo leva em conta atividades que não estão e, consequentemente, não são muito afetadas pela política monetária, como agropecuária, indústria extrativa, serviços imobiliários e aluguel, e serviços de administração pública.

“Dada a sua relevância e o momento atual de incerteza crescente, faz-se necessária uma análise particular dos setores que compõem o PIB cíclico”, diz o FGV Ibre em nota, ao observar que esse corresponde a cerca de 65% do valor adicionado ao PIB final.

“O PIB pode ter muitos falsos positivos, com uma parte muito mal e desacelerando e outra que não parece muito ruim, sendo mascarada. O PIB pode ser positivo, mas a recessão do componente cíclico está contratada”, afirma Silvia. “Não sabemos o tamanho dessa recessão do PIB cíclico no ano que vem, mas ela virá. E o resultado do PIB final dependerá de outros componentes.”

O Boletim Macro do FGV Ibre de outubro de 2021 considerava que o Banco Central aumentaria a taxa básica de juros Selic até alcançar o patamar de 9,25% neste ano, permanecendo nesse mesmo nível durante 2022. Hoje, no entanto, o instituto considera que o ciclo termina com a taxa básica de juros em 11,50%, sendo um aumento de 1,5 ponto percentual na p a próxima reunião, outro depois de 1,25 ponto percentual, e por último um aumento de 1,0 ponto, permanecendo nesse patamar até o fim de 2022.

Esse choque mais austero de política monetária, afirma a economista, teria impacto de 0,4 ponto percentual sobre o PIB cíclico em 2022. Isso reduziria o PIB cíclico para -0,3%.

Por outro lado, teríamos um crescimento do PIB exógeno de 2,8%, com contribuição de 1 ponto percentual sobre o PIB total. “Agregando ambas as partes, teríamos um PIB total de 0,7% no ano que vem”, diz Silvia

As projeções do FGV Ibre já contemplavam a piora da indústria de transformação, que começou no segundo semestre deste ano e deve perdurar ao longo de 2022. Como essa piora vem sendo mais grave do que o previsto anteriormente, o instituto revisou a projeção de crescimento para este ano de 4,9% para 4,8%. A projeção de carregamento estatístico para 2022 também foi revista, de 0,9% para 0,4%. Com isso, a estimativa de crescimento para o ano que vem passou de 1,5% para 0,7%. Impactos para 2023 não estão descartados.

“Sempre tivemos essa visão de PIB mais fraco para o ano que vem porque será um ano de eleição aqui e de muitos desafios para o mundo”, afirma Silvia. “Nunca fui muito otimista quanto aos desafios pós-pandemia para a recuperação econômica. Além disso, os anos de eleição têm sido turbulentos, o que não seria um momento de muito otimismo na economia brasileira.”

 

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