Estudo avalia desafios das companhias na busca do carbono zero

Valor Econômico
27/09/2021

Por Daniela Chiaretti

Consultoria Oliver Wyman ouviu líderes de 27 conglomerados de diversos setores e regiões do mundo

“Estima-se que mais de um quinto das maiores corporações do mundo, com vendas somadas próximas a US$ 14 trilhões, esteja comprometido em alcançar emissões líquidas zero de gases-estufa, no máximo, em 30 anos. Estes grupos têm um desafio comum – transformar seus compromissos em planos e ações sustentáveis.”

É assim que começa o estudo “Getting Real – A blueprint for a commercially smart climate transition”, lançado na semana passada e elaborado pela consultoria Oliver Wyman em parceria com o Climate Group, instituto que organiza anualmente a semana do clima de Nova York à época da Assembleia Geral da ONU.

O estudo busca entender como as empresas estão tentando tornar concretas as metas de descarbonização para 2030 e 2050 que vêm lançando. Foi feito a partir de entrevistas com líderes de 27 conglomerados de diversos setores e regiões geográficas. Entre as empresas estão a United Airlines, Siemens, Volvo, BHP, Nestlé, Microsoft, HSBC e Pepsico. Duas brasileiras, a Vale e a Votorantim Cimentos, fazem parte do grupo.

O relatório menciona outro estudo, do Goldman Sachs, de 2020, que estima investimentos de US$ 100 trilhões nas próximas três décadas para financiar a transição para a economia de baixo carbono. Deste total, entre 70% e 80% terão que ser investidos em tecnologias e processos, muitos que ainda não existem. É uma estimativa de quanto a descarbonização custará para transformar empresas e a economia até 2050.

“Observamos outro ponto importante: não se trata apenas de novas tecnologias e processos, mas toda a organização empresarial terá que mudar. Esta transformação é de tal dimensão nas empresas como vem sendo o impacto da transformação digital”, diz Gabriela Bertol, diretora da área de serviços financeiros da Oliver Wyman. “Clima e sustentabilidade são dimensões que terão que permear a empresa inteira. A mudança será enorme”.

As empresas consultadas são experientes em ação climática, têm compromissos significativos e se empenham em cumpri-los, revisando as metas de cinco em cinco anos e tornando-as mais ambiciosas a cada revisão, diz o estudo. O problema é que as empresas lançam a meta e têm que começar a implementá-la “com as ferramentas que existem hoje, sem esperar por um ambiente mais favorável, diz o relatório. É preciso agir já para que se consiga cortar emissões em 2030. “As empresas têm que fazer isso e ao mesmo tempo cumprir seus objetivos comerciais e metas de lucro”, diz o texto.

“As organizações têm que lidar com uma dicotomia – colocar em prática um plano de transição de médio e longo prazo, e investir agora para resultados que só virão depois”, diz Gabriela Bertol.

O estudo cita as pressões que vêm atingindo as empresas – investidores que querem financiar a transição, falta de dados, pressão de consumidores, dificuldade dos pequenos negócios em participar do processo e outros desafios. Recomenda duas ações: enfrentar o problema e não descarregá-lo em outros elos da cadeia, e inovar o negócio, não apenas a tecnologia. O relatório cita as lições aprendidas por algumas companhias e suas dificuldades em cortar emissões. O desafio da Nestlé, por exemplo, é descarbonizar a cadeia de fornecedores, principalmente as fazendas de laticínios que respondem por grande parte das emissões. No caso da mineradora e siderúrgica BHP, 90% das emissões de gases-estufa se concentram na produção do aço no alto-forno. A Votorantim vem buscando várias opções para reduzir emissões e a forte demanda energética. Transformou cerca de 150 mil toneladas de caroço de açaí, descartado ao longo da cadeia produtiva, em combustível alternativo.

“As empresas argumentam que uma das razões para ir nesta direção é se antecipar a regulamentações futuras e preço ao carbono”, disse Simon Glynn, sócio e líder da área de clima e sustentabilidade da Oliver Wyman, em evento da Climate Week. “Este é tempo de liderar, antes de ter que ser liderado”, aconselha o relatório. “Se você não fixar uma meta, não encontrará o caminho”, diz um executivo

 

 

 

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