Equatorial leva Echoenergia por R$ 6,7 bi e entra em energia limpa

Valor Econômico

Por Maria Luíza Filgueiras e Letícia Fucuchima

29/10/2021

Grupo vence disputa acirrada pela geradora eólica, com portfólio já operacional no Nordeste de mais de 1 GW

Conhecida por sua atuação em distribuição de energia elétrica, a Equatorial fez uma aposta alta para se posicionar no mercado de geração renovável, que vem atraindo cada vez mais investidores no embalo da agenda ESG e do processo global de descarbonização. A companhia fechou ontem a aquisição da Echoenergia, empresa da gestora inglesa Actis que possui um dos maiores portfólios de energia eólica do país, com mais de 1 gigawatt (GW) em usinas operacionais.

O negócio, somado às aquisições discretas que a Equatorial vinha fazendo em energia solar, marca sua estreia num novo segmento e a inclui no rol das “utilities integradas”, que detêm ativos em todas as áreas do setor elétrico.

A transação com a Actis foi firmada ontem à tarde, informou o Pipeline, site de negócios do Valor. A Equatorial vai pagar, em dinheiro, R$ 6,7 bilhões, sem envolver troca de ações. A estimativa do mercado já era de um valor próximo a R$ 7 bilhões para a Echoenergia, incluindo dívida – mas, na verdade, é somente a parte de equity. O enterprise value chega a quase R$ 10 bilhões, disseram fontes. A operação corresponde à maior aquisição de energia renovável efetivada do mercado brasileiro nos últimos anos.

A Equatorial já vinha sinalizando seu interesse em ingressar na área de geração renovável. Em junho deste ano, o presidente do grupo, Augusto Miranda, disse em “Live do Valor” que a empresa estava estudando como participar desse mercado. Na ocasião, ele explicou ainda que esse passo se encaixaria numa estratégia muito mais ampla da companhia, de se tornar uma “multi-utility”, agregando também serviços de saneamento – outra aposta recém-concretizada pela Equatorial, que venceu no mês passado o leilão de concessão de água e esgoto no Amapá

A última aquisição vem na sequência de outras movimentações do grupo visando ampliar sua presença em diferentes áreas de negócio e regiões do país. Além de entrar em saneamento, um grande marco para a diversificação das operações, a companhia adquiriu, neste ano, as distribuidoras estatais de energia do Amapá (CEA) e do Rio Grande do Sul (CEEE). Também comprou empresa de energia solar, como a Enova, que atua na área de geração distribuída, e a Solenergias Comercializadora.

De capital pulverizado, a Equatorial tem entre seus acionistas a Squadra Investimentos, Opportunity, BlackRock e o Canada Pension Plan (CPPIB). Atualmente, a companhia possui concessionárias de distribuição no Maranhão, Pará, Alagoas, Piauí, Amapá e Rio Grande do Sul, além de 3,2 mil quilômetros de linhas de transmissão.

Com o portfólio da Echoenergia, assume mais de 1 GW em usinas eólicas operacionais no Rio Grande do Norte – sua principal base -, Pernambuco, Ceará e Bahia, com contratos tanto no mercado regulado quanto mercado livre. Também herda uma carteira (“pipeline”) de 2 GW em projetos, principalmente da fonte eólica.

Segundo fonte, conhecedora da Echoenergia, a empresa está posicionada como uma das melhores do setor de eólica, com excelentes índices operacionais e financeiros. “Ótima tacada da Equatorial”, diz.

Já para a Actis, o negócio concretiza sua intenção de alienar seu veículo de energias renováveis no país. A gestora já tinha tentado vender a Echoenergia há dois anos, quando chegou negociar em exclusividade com o canadense CDPQ, mas não chegaram a um consenso de preços antes de a pandemia suspender tratativas em curso. Em junho deste ano, a Actis reativou o processo de venda, coordenado por Credit Suisse e BTG.

O ativo foi bastante disputado. Houve várias ofertas, entre elas da Eneva. Depois de ter apostado na incorporação da AES Tietê e na Echoenergia, e ter saído de mãos vazias dos dois negócios, o Valor apurou que a Eneva continua atrás de novas oportunidades. O grupo vem avaliando a aquisição da usina Termofortaleza, da Enel, disse uma fonte.

A Equatorial foi assessorada pela XP Investimentos, o que coloca a casa na primeira liga dos bancos de investimento em fusões e aquisições (M&A, em inglês). A XP avançou em ofertas de ações e dívidas nos últimos anos, como grandes operações, mas sua entrada em M&A era majoritariamente em “deals” de pequeno e médio porte.

Com a demanda global de investidores por práticas ESG, as transações de energia renovável aceleraram no país. Há 10 dias, Votorantim Energia e o braço de investimentos do CPPIB resolveram unir suas operações no segmento, avaliada em pouco mais de R$ 8 bilhões. No caso, não se tratou de aquisição, e sim de fusão de ativos dos dois grupos, que já tinham uma joint venture. Na proposta, querem incorporar Cesp, o que pode elevar o valor do negócio para R$ 17 bilhões.

A vendedora Actis tem renovado seu portfólio no país e passou por uma reorganização recente de negócios. A gestora inglesa vai continuar sua operação no Brasil focada em ativos de energia, enquanto seus investimentos em áreas como consumo e educação passaram a ser geridos pela novata Noon, casa comandada por três veteranos oriundos da própria Actis.

 

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