Dólar abre em queda após aprovação da PEC dos precatórios em 1o turno

Por Portal G1

04/11/2021  

Na quarta-feira (3), a moeda norte-americana fechou em queda de 1,43%, a R$ 5,589

O dólar abriu em queda nesta quinta-feira (4), após a Câmara dos Deputados aprovar em 1º turno a PEC dos Precatórios, que dribla o teto de gastos e viabiliza o financiamento do Auxílio Brasil no ano eleitoral de 2022.

Às 9h03, a moeda norte-americana recuava 0,11%, cotada a R$ 5,58. 

Na quarta-feira, o dólar fechou em queda de 1,43%, cotado a R$ 5,5892. Com o resultado, passou a acumular recuo de 1,03% no mês. No ano, tem alta valorização de 7,75% frente ao real.

Cenário

Na madrugada desta quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou em votação apertada o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. Os parlamentares ainda precisam votar os chamados destaques (sugestões pontuais de alteração no texto principal) e o segundo turno.

A PEC é a principal aposta do governo para viabilizar o programa social Auxílio Brasil — anunciado pelo governo para suceder o Bolsa Família. A proposta adia o pagamento de precatórios (dívidas do governo já reconhecidas pela Justiça), a fim de viabilizar a concessão de pelo menos R$ 400 mensais aos beneficiários do novo programa.

“Esta notícia deve acalmar os mercados amanhã com efeitos tanto no dólar quanto na curva de juros”, avaliou o economista-chefe da Necton, André Perfeito.

Na cena externa, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), anunciou na quarta-feira que vai começar a reduzir neste mês seu programa de estímulo à economia por meio da compra de títulos, com planos de encerrar as compras mensais no próximo ano. Por outro lado, sinalizou que não tem pressa para elevar os juros.

Com juros estáveis nos EUA e em trajetória de alta no Brasil, a perspectiva de abertura adicional dos diferenciais de juros favorece uma valorização da moeda brasileira, à medida que estimula o fluxo de dólares de investidores estrangeiros para o Brasil.

Piora das expectativas

As incertezas fiscais e econômicas têm feito piorar as projeções do mercado para a inflação, taxa de juros e PIB (Produto Interno Bruto). O mercado financeiro elevou a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2021 de 8,96% para 9,17%, segundo o último boletim Focus do Banco Central. Para 2022, a previsão subiu de 4,40% para 4,55%. Para a Selic, a projeção foi elevada de 8,75% para 9,25% no fim de 2021. E, para o fim de 2022, passou de 9,5% para 10,25% ao ano.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou que o Banco Central considerou cenários com “ritmos de ajuste maiores na taxa básica de juros” do que o anunciado na última semana — quando a taxa básica de juros subiu para 7,75% ao ano.

Para a alta do PIB deste ano, a expectativa foi revisada de 4,97% para 4,94%. Para 2022, o mercado baixou a previsão de crescimento da economia de 1,40% para 1,20%. Já a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2021 subiu de R$ 5,45 para R$ 5,50. Para o fim de 2022, avançou também de R$ 5,45 para R$ 5,50 por dólar.

 

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