Corsan prevê privatização em fevereiro

Valor Econômico
02/09/2021

Por Taís Hirata

Após desestatização pioneira do setor, empresa terá que investir cerca de R$ 10 bilhões até 2033

O governo gaúcho caminha para fazer a privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) em fevereiro de 2022. Na terça-feira, a Assembleia Legislativa do Estado aprovou a lei que autoriza a desestatização, que será feita por meio de uma oferta inicial pública de ações (IPO, na sigla em inglês). Com esse aval, a empresa se prepara para contratar os bancos para a operação e acelerar o processo, afirmou ao Valor o presidente, Roberto Barbuti.

Trata-se da primeira privatização de uma estatal de saneamento básico no Brasil. Hoje, outras três companhias de água e esgoto têm ações negociadas na Bolsa – Sabesp (SP), Copasa (MG) e Sanepar (PR) -, mas no caso destas, o controle ainda é do Estado. No caso da Corsan, o plano do governo de Eduardo Leite (PSDB) é ficar com uma participação de 30%, perdendo, portanto, o controle acionário.

O Estado ainda não divulga sua previsão de arrecadação no processo, já que o valor depende da precificação das ações da companhia. Porém, a expectativa é que ao menos R$ 1 bilhão seja injetado na empresa por meio da oferta primária, ou seja, da emissão de novas ações.

A nova Corsan terá um desafio relevante de investimento. A previsão é que seja necessário cerca de R$ 10 bilhões, até 2033, para a universalização dos serviços nas 307 cidades atendidas. Por isso, uma expansão para além do Estado deverá ficar para um segundo momento, avalia Barbuti.

“Já existe um desafio grande de entrega no Estado. O foco é cumprir os compromissos com os municípios e, à medida que houver conforto para novos investimentos, vamos olhar. Mas acredito que não no curto prazo”, afirma o executivo.

No plano futuro de negócios da empresa, que está sendo preparado em parceria com uma consultoria, também existe a previsão de atuação em novas áreas, como o setor de resíduos sólidos, e receitas adicionais, como o aproveitamento da estrutura de dutos para incluir fibra óptica.

A Corsan já tem sido procurada por alguns potenciais investidores institucionais, que poderiam entrar como sócios estratégicos na oferta. “Alguns grupos têm demonstrado interesse. São atores nacionais e estrangeiros, com uma visão de longo prazo”, afirma o presidente.

Antes da oferta, a Corsan deverá concluir alguns processos importantes. O primeiro deles é a repactuação dos contratos com os 307 municípios, para a inclusão de exigências da nova lei do saneamento, e para prolongar a extensão dos prazos. Hoje, a duração média ponderada do portfólio da empresa é de 26 anos. A ideia é conseguir uma prorrogação até 2062 – ampliando, assim, o valor da companhia.

A lei aprovada nesta semana prevê um mecanismo de incentivo para que as prefeituras aceitem os termos: aqueles que firmarem os aditivos em até 90 dias, a partir da publicação da lei, terão direito a ações da Corsan – que poderão ser mantidas ou vendidas no IPO. A participação dos municípios será proporcional ao peso no faturamento da companhia, e a soma total dos papéis cedidos às cidades poderá chegar até, no máximo, 10% do capital.

Outro processo em curso é a validação de uma nova metodologia para o cálculo da base de ativos regulatórios, que é o valor dos ativos usados para a prestação dos serviços. Esse cálculo é bastante importante porque serve como referência para as agências reguladoras definirem os reajustes tarifários dos contratos. Além disso, no IPO, o montante também é usado em indicadores para a precificação das ações.

Hoje, o cálculo é feito pelo método contábil. A Corsan, com apoio de uma consultoria, vem preparando há dois anos uma proposta para utilizar outra metodologia, de Valor Novo de Reposição (VNR), que é mais complexa e trabalhosa, porém mais precisa e eficiente. Essa nova proposta está sendo avaliada pelos órgãos reguladores.

 

 

 

 

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