Concorrência em leilões de saneamento deve seguir forte

Valor Econômico
28/09/2021

 Por Taís Hirata

Operadores consolidados devem seguir empenhados nas disputas, mas novos grupos devem começar a aparecer

O interesse e a competição pelos leilões de saneamento básico deverão seguir elevados, segundo analistas que acompanham os projetos do setor. A percepção é que os operadores tradicionais continuam com espaço para fazer investimentos, mas que novos grupos deverão gradualmente passar a disputar os projetos.

“É difícil prever o nível da competição, mas sem dúvidas haverá concorrência. Ainda há muitos grupos interessados em entrar no setor, e há oportunidades”, afirma o advogado André Freire, sócio do Mattos Filho.

Para Marcos Ganut, sócio da Alvarez & Marsal, a expectativa é que no próximo ano já comecem a surgir mais novos operadores nos leilões. “A última licitação, em que a Equatorial venceu, já deu sinais. Grupos de ‘utilities’ [como energia], fundos focados em infraestrutura e empresas de fora certamente estão olhando. Nas próximas rodadas, devemos ver mais essa movimentação. Não sei se já levarão os contratos, mas deve haver mais movimento.”

As incertezas em torno da implementação do novo marco legal e ações judiciais pendentes no Supremo Tribunal Federal (STF) contra as novas regras ainda são um entrave para a vinda de companhias novas, avalia Rodrigo Bertoccelli, sócio do Felsberg Advogados. “Empresas de fora, como Acciona, Suez e grupos chineses, estão olhando os ativos ainda de forma distante. Ainda vemos um nível de participação modesto desses grupos nas consultas públicas, e fundos têm preferido investir por meio de grupos já estabelecidos.”

Além disso, a percepção é que os operadores mais consolidados ainda têm bastante espaço e fôlego financeiro para continuar vencendo os leilões, avalia Luis Felipe Valerim, professor de direito na FGV e sócio da XVV Advogados.

Desde que a lei do saneamento foi aprovada e teve início uma onda de grande leilões do setor, as disputas em torno dos ativos têm registrado ofertas agressivas por parte dos operadores mais consolidados no país, com um nível de interesse que têm impressionado o mercado – e, em alguns casos, levantado dúvidas sobre o nível de rentabilidade dos projetos.

Na visão de um analista, a percepção é, entre os grupos que há anos esperam oportunidades como essas, que há uma certa corrida e um cálculo de que, no futuro, poderá ficar ainda mais cara a conta para criar uma rede de concessões no país. Outra fonte observa que se trata se um setor no qual a escala faz muita diferença e que mesmo as maiores empresas ainda são proporcionalmente pequenas no mercado total.

Para Ganut, a concorrência forte e o domínio de operadores locais já eram esperados. “Para ter esse apetite e projetar um ‘turnaround’ forte, é preciso ter um grau de conhecimento amplo do setor. A previsão já era de uma primeira onda de grupos consolidados, e uma segunda de fundos de private equity e outros operadores”, diz. Ele avalia que as grandes empresas passarão a abrir espaço à medida que o “prato for ficando mais cheio” e passarem a ser mais seletivas.

Os analistas também destacam que o nível de concorrência dependerá diretamente da qualidade de cada projeto e das sinergias com o portfólio atual dos operadores do setor. No caso dos dois blocos de Alagoas, a avaliação é que o interesse será menor do que no leilão da região metropolitana, mas que grupos como a BRK (que levou o primeiro lote do Estado), Equatorial, GS Inima e Iguá deverão ter interesse, afirma Bertoccelli. Já o projeto de Porto Alegre, considerado extremamente atrativo, deverá voltar a registrar as ofertas agressivas vistas nas últimas licitações, segundo analistas.     

 

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