Companhias miram redução do impacto social da atividade

Valor Econômico
31/08/2021

Por Katia Simões

Iniciativas incluem recuperação de áreas degradadas e aportes nas comunidades locais

De um lado, clientes cada vez mais engajados e dispostos a consumir ou se relacionar com marcas éticas e com propósitos claros. De outro, os investidores valorizando não apenas o lucro, mas também o impacto social e ambiental das empresas aportadas. No centro, companhias de todos os portes buscando se adaptar à agenda ESG (boas práticas ambientais, sociais e de governança). Embora a agenda seja ampla, cada empresa deve focar no que é possível fazer para reduzir os grandes impactos com iniciativas que vão desde a redução do consumo de água e de emissão de CO2 até uso de energia renovável, recuperação de áreas degradadas e investimento nas comunidades onde a companhia está inserida.

“Cada empresa precisa elencar o que é importante para ela, quais são os seus valores, seu propósito e os pontos mais críticos nas três vertentes que precisam ser revistas e, então, começar a fazer os ajustes”, afirma Joanita Karoleski, presidente do Fundo JBS pela Amazônia.

“A pauta ESG deve fazer parte da estratégia da companhia, deve ser algo que permeie todas as áreas, que faça parte da cultura.” Segundo Karoleski, buscar um desenvolvimento sustentável é dever de todos. Criado em setembro de 2020 pela JBS com aporte de R$ 250 milhões em cinco anos, o Fundo JBS pela Amazônia anunciou em junho os primeiros seis projetos escolhidos para receber R$ 50 milhões para a promoção de ações de conservação e preservação da floresta, melhoria da qualidade de vida das comunidades locais e desenvolvimento científico e tecnológico da região.

“Os projetos irão desenvolver a bioeconomia da floresta, ajudando a agregar valor aos produtos naturais e contribuindo com a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento socioeconômico”, afirma Karoleski. “Um dos nossos focos foi apoiar ações que valorizem quem está na base das cadeias da floresta, como extrativistas, indígenas e gerenciadores de negócios comunitários”, diz.

Para Andrea Sztajn, CFO da Omega Geração, o grande desafio das empresas é passar da teoria à prática por convicção e não por uma demanda do mercado. “A Omega já nasceu verde, com os pilares da agenda ESG bem claros”, afirma. “Sempre tivemos a preocupação de fazer a diferença de maneira positiva, com geração de renda e fomento ao empreendedorismo nas áreas onde os parques de energia limpa são implantados.”

Presente em todas as regiões do país, mais fortemente no Nordeste, a companhia investe em unidades educacionais e no desenvolvimento do empreendedorismo nas áreas ao redor dos parques eólicos com base em estudos de análise econômica e de vocação regional.

Os investimentos, segundo a executiva, trazem retorno. Pesquisa feita pela GO Associados revela que os municípios do Nordeste que receberam usina eólica apresentaram, em média, 21,5% de crescimento do PIB e de 20,19% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre 1999 e 2017.

De acordo com Sztajn, que participou do XP Expert, cada vez mais empresas buscam energia renovável. “O Brasil precisa avançar na legislação para, assim como as empresas, pessoas físicas também possam comprar esse tipo de energia, afinal além de limpa, é a mais barata.”

“O país tem potencial para crescer a matriz nos próximos dez anos, tem capacidade para atender à demanda, precisa aproveitar esse potencial e expandir esse mercado.” Criada em 2008, a Omega Geração é a empresa de energia listada na bolsa que mais cresce no Brasil, triplicando de tamanho nos últimos três anos. Em 2020, atingiu 1.869 MW de capacidade instalada, energia suficiente para abastecer cerca de 430 mil residências.

Com 11 anos de mercado e líder no setor de saneamento básico no Brasil, a Aegea ancorou sua expansão em dois pilares: eficiência operacional e ESG. “Hoje apenas 16% do saneamento do país é gerido por empresas privadas e somos responsáveis por 56% dessa fatia”, afirma Rogério de Paula Tavares, vice-presidente de relações institucionais. “Se não tivéssemos respeitado esses dois pilares, dificilmente teríamos alcançado essa posição. Passamos de seis cidades com 1,5 milhão de pessoas em 2010, para 153 municípios e 21 milhões de pessoas em 2021”, diz. Segundo Tavares, as empresas que desejam ter vida longa precisam ter apoio no social e na sustentabilidade.

 

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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