B3: importância do setor de infraestrutura e como investir

E-INVESTIDOR – Estadão
Por Aléxis Cerqueira Góis,
05/10/2021

2020 foi marcado por um baixo nível de investimento público em infraestrutura, mas o cenário é promissor

 

O investimento público em infraestrutura em 2020 foi o menor desde 1947, quando o Observatório de Política Fiscal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) iniciou o levantamento histórico.

Por conta da pandemia, apenas 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) foi investido no setor no ano passado, em um valor insuficiente para manter estradas, aeroportos, portos e hidrelétricas já existentes.

A previsão orçamentária para 2021 também não é muito animadora. O governo federal projetou um volume de apenas R$ 17 bilhões de recursos para a infraestrutura, o que representa, aproximadamente, 0,1% do PIB. Esse valor pode ser ainda menor, já que o orçamento pode sofrer cortes ou não ser totalmente executado.

Isso significa que o Brasil talvez não consiga realizar obras importantes para garantir o crescimento econômico com recursos públicos, como a expansão da capacidade de geração de energia e a implantação de novas rotas de escoamento de produtos. Economistas e o próprio governo afirmam que é necessário investir 0,5% do PIB para garantir infraestrutura nova no País.

No entanto, os recursos do governo representam apenas uma parte do que é investido no segmento. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que, em 2014, empresas privadas foram responsáveis por 54% dos aportes no setor.

Agora esse índice é ainda maior. Até 2022, a iniciativa privada deve investir R$ 260 bilhões, segundo projeção do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o que representa 40 vezes o orçamento anual da pasta.

 A previsão orçamentária para 2021 também não é muito animadora. O governo federal projetou um volume de apenas R$ 17 bilhões de recursos para a infraestrutura, o que representa, aproximadamente, 0,1% do PIB. Esse valor pode ser ainda menor, já que o orçamento pode sofrer cortes ou não ser totalmente executado.

Isso significa que o Brasil talvez não consiga realizar obras importantes para garantir o crescimento econômico com recursos públicos, como a expansão da capacidade de geração de energia e a implantação de novas rotas de escoamento de produtos. Economistas e o próprio governo afirmam que é necessário investir 0,5% do PIB para garantir infraestrutura nova no País.

No entanto, os recursos do governo representam apenas uma parte do que é investido no segmento. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que, em 2014, empresas privadas foram responsáveis por 54% dos aportes no setor.

Agora esse índice é ainda maior. Até 2022, a iniciativa privada deve investir R$ 260 bilhões, segundo projeção do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o que representa 40 vezes o orçamento anual da pasta.

O papel da infraestrutura na retomada econômica

estratégia de recuperação econômica da crise provocada pela pandemia passa pela necessidade de investimentos na infraestrutura nacional. O Banco Mundial estima que as aplicações no setor devem ser de 4,25% do PIB para superar o déficit estrutural do País.

Com o orçamento cada vez mais apertado, o governo federal aposta em seu Programa de Parceria de Investimentos (PPI), que deve gerar boas oportunidades em curto, médio e longo prazos, para comprar ações de empresas do setor de infraestrutura ou aplicar em fundos de investimentos atrelados a esses papéis.

Transporte

governo federal pretende realizar novos contratos de concessão de mais de 18 mil quilômetros de rodovias no País, com previsão de R$ 151 bilhões em investimentos e geração de 2,1 milhões de empregos.

No setor ferroviário, o PPI deve antecipar contratos e realizar novas concessões. Entre os destaques, estão o projeto Ferrogrão, de 993 quilômetros, para escoar a produção do Centro-Oeste ao Porto de Miritituba, no Pará, e gerar R$ 8,4 bilhões em investimentos. O programa também contempla a modernização da área portuária, que tem licitações de pelo menos 11 terminais.

O governo federal quer, ainda, realizar concessão para a iniciativa privada de 22 aeroportos, divididos em três blocos, devendo gerar R$ 6,6 bilhões com potencial de criar 111 mil empregos.

Energia elétrica

Além da desestatização da Eletrobras (ELET3; ELET6), já sancionada pelo presidente da República, o PPI prevê leilões de geração e transmissão de energia, com investimentos superiores a R$ 10 bilhões.

Um novo modelo jurídico e operacional foi sugerido para a Usina Termonuclear Angra 3, por exemplo, e as obras podem ser retomadas para colocar a estrutura em funcionamento em 2026.

Petróleo e gás

No setor de petróleo, o governo federal implementou o Programa para Aprimoramento das Licitações de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural (BidSIM) para aumentar a atratividade das licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural.

Leilão dos Blocos de Atapu e Sépia está previsto para acontecer em dezembro de 2021, e novas áreas de exploração e campos de produção devem ser oferecidas.

Mineração

O governo adotou a Política de Apoio ao Licenciamento Ambiental de Projetos de Investimentos para Produção de Minerais Estratégicos (Pró-Minerais Estratégicos) para facilitar a aprovação de projetos de extração de minerais que o País precisa importar em alto percentual para atender a atividades fundamentais da economia.

Isso tudo seria feito com aplicação em produtos e processos de alta tecnologia e que colaboram para o superávit da balança comercial.

Telecomunicações

O Brasil está preparando sua maior venda pública até hoje. O leilão da tecnologia 5G deve movimentar R$ 50 bilhões, sendo R$ 40 bilhões em novos investimentos em infraestrutura de telecomunicações.

A conexão mais rápida ajudará o Brasil a dar um salto digital, especialmente na agricultura, na indústria e na medicina.

Saneamento

Um novo marco legal aprovado em 2019 deverá gerar mais de R$ 600 bilhões em investimentos para universalizar o serviço de saneamento até 2033, segundo estimativa do governo federal.

Além disso, a Caixa Econômica Federal criou o Fundo de Apoio à Estruturação de Projetos de Concessão e PPP (FEP), que deve ter atuação forte nos contratos realizados na área de abastecimento de água e esgoto e tem mais de 50 projetos de concessão em andamento.

Como investir no setor de infraestrutura na bolsa de valores?

O Brasil tem uma demanda real por investimentos em infraestrutura, e as empresas exercerão um papel crucial nos próximos anos. Em um horizonte de elevação da taxa Selic, quem pretende investir no setor deve pensar em uma aplicação de médio e longo prazos.

Confira quais são as principais oportunidades de investimento em infraestrutura.

Quais são as ações recomendadas para investimento em infraestrutura?

Vale (VALE3) deve ser beneficiada com as condições do mercado de minério de ferro até 2023. A empresa vai lucrar com a retomada de obras no setor de infraestrutura tanto no Brasil quanto no mercado global. A companhia tem algumas plantas com atividades suspensas e, dessa forma, poderá atender a um aumento da demanda de pedidos.

No setor de petróleo e gás, a PetroRio (PRIO3) apresenta bons resultados e elevado caixa, o que possibilita realizar investimentos em melhorias de operações e novas aquisições. No entanto, a companhia não está sujeita aos riscos de interferências governamentais, como a Petrobras (PETR3; PETR4).

Analistas da Ágora avaliam que o segmento de geração, transmissão e distribuição de energia vai dar boas oportunidades para a Weg (WEGE3), que tem a energia renovável como carro-chefe. Além disso, a empresa tem operações tanto no mercado doméstico quanto internacional e cerca de 57% da receita em dólar.

Quais são os fundos de investimento em infraestrutura listados na B3?

Desde julho, a B3 passou a listar os Fundos de Investimentos em Infraestrutura (FI-Infra), o que possibilita a compra e a venda desses ativos diretamente na Bolsa de Valores. Os fundos captam recursos para financiar empreendimentos e são considerados aplicações de longo prazo com vencimento médio de dez anos. Contudo, as cotas podem ser negociadas a qualquer momento, assim como as ações.

Atualmente existem cinco FI-Infras listados na B3, sendo três de renda fixa e dois de renda variável. BTG Pactual Dívida Infra (BDIF11) e XP Infra (XPID11) são focados em debêntures de infraestrutura. Já a Rio Bravo ESG FIC FI-Infra RF CP é composto de cotas de fundos incentivados de investimento em infraestrutura.

Capitânia Infra (CPTI11) aplica recursos em projetos de saneamento básico, rodovias, transporte aquático, telecomunicações, geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, enquanto Inter Selection Ações (FIC INTER) tem ações de empresas de infraestrutura.

 

 

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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