Antes importante para a retomada do PIB, cenário externo agora puxa projeções para baixo

O Estado de S. Paulo
Vinicius Neder e Bruno Villas Bôas
18 de outubro de 2021

Elevação dos juros em muitos países e uma possível desaceleração da economia chinesa podem travar crescimento do País

Desde que a economia brasileira ensaiou uma recuperação, em meados do ano passado, a conjuntura global ajudava o País. Isso durou pelo menos até a primeira metade do ano. Nas últimas semanas, porém, ao revisar para baixo as projeções de crescimento econômico do Brasil em 2022, economistas de bancos como Itaú, Bradesco e JPMorgan citaram o cenário externo menos favorável entre os motivos para esperar um desempenho pior.

Segundo economistas ouvidos pelo Estadão, há dois riscos. Um é a elevação de juros em vários países, com a retirada de estímulos monetários para mitigar a crise da covid-19 e a necessidade de combater uma inflação espalhada por todo o planeta, de forma inédita. O segundo é uma eventual desaceleração mais acentuada do crescimento econômico da China, por causa dos problemas financeiros da incorporadora imobiliária Evergrande. As turbulências do exterior afetam a economia nacional por dois canais. Um é o comércio exterior, com a menor demanda por matérias-primas como soja, minério de ferro, carnes ou celulose. O outro é o setor financeiro, um canal indireto. 

Como as exportações não impulsionam toda a economia brasileira, o canal financeiro “é fundamental”, e até mais importante que o comércio exterior, de acordo com José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Do início do ano para agora, mudaram as expectativas de que uma alta generalizada de juros poderia demorar, disse Senna. Os juros dos títulos públicos americanos já começaram a subir nas últimas semanas e, “agora, todos estão esperando que os bancos centrais vão antecipar o ajuste de juros (para cima)”.

“É exatamente disso que nós não precisamos. Já temos problemas internos demais”, disse o pesquisador da FGV, ex-diretor do Banco Central (BC).

 

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