Analistas já veem inflação perto de 10% no fim deste ano e PIB abaixo de 1% em 2022.

O Estado de S.Paulo

Por Thaís Barcellos

16.Nov.2021 

Projeção para o IPCA passou para 9,77%, segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central 

Após nova surpresa com o IPCA de outubro, que chegou a 1,25%, a projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 subiu pela 32.ª semana consecutiva, conforme o Relatório Focus, divulgado nesta quarta-feira, 16, pelo Banco Central. A estimativa subiu de 9,33% para 9,77%, cada vez mais próxima dos dois dígitos e distante do teto da meta a ser perseguida pelo BC, de 5,25%. Há um mês, estava em 8,69%.

A projeção para o índice em 2022 também continuou subindo, de 4,63% para 4,79% – o 17.º aumento seguido. O  número está cada vez mais próxima da banda superior da meta (5,00%), sinalizando alto risco de novo rompimento da meta no ano que vem, Quatro semanas atrás, estava em 4,18%.

A expectativa para o IPCA em 2023 avançou de 3,27% para 3,32%. No caso de 2024, por sua vez, a previsão teve leve redução, de 3,10% para 3,09%. A meta para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%). Para 2024 o objetivo é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto (de 1,5% para 4,5%).

No comunicado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de outubro, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 9,5% em 2021, 4,1% em 2022 e 3,1% em 2023. O colegiado elevou a Selic em 1,5 ponto porcentual, para 7,75% ao ano.

A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma “carta aberta” a Guedes, explicando as razões para o estouro. 

A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

O Focus também trouxe a projeção para o IGP-M, que subiu de 18,40% para 18,54% em 2021 e passou de 5,32% para 5,38% em 2022 – o índice é muito usado em contratos de aluguel de imóveis. Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado.

Os economistas mantiveram a projeção para a taxa básica da economia, a Selic, no fim de 2021, em 9,25%, e de 2022, em 11%.

Na semana passada, a diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Fernanda Guardado, indicou que o ritmo de 1,50 ponto porcentual para a alta da taxa Selic “ainda parece apropriado” e reforçou que o BC segue confiante de que é capaz de trazer a inflação de 2022 para o “mais próximo possível” do centro da meta.

Revisão para baixo na projeção do PIB

O Relatório Focus mostrou nova deterioração no cenário de crescimento econômico do Brasil, depois de mais uma leva negativa de dados de atividade.

A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 passou de 4,93% para 4,88%. Há quatro semanas, estava em 5,01%. Para 2022, a projeção de expansão do PIB recuou pela sexta vez consecutiva e já está abaixo de 1%, em 0,93%. Há um mês, estava em 1,50%.

Para 2023, a projeção de crescimento continuou em 2%. E para 2024 passou de 2,05% para 2%.

 

 

 

 

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