Águas do Brasil estuda leilões no Rio, Porto Alegre e AL

Valor Econômico
16/08/2021

Por Taís Hirata

Companhia ainda não venceu contratos da era pós-novo marco legal, mas segue estudando ativos, diz presidente

O grupo Águas do Brasil está estudando os próximos projetos de saneamento do país. Entre os alvos, estão as concessões de Porto Alegre, os dois blocos em Alagoas, além do último bloco da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), afirma o presidente da companhia, Claudio Abduche.

A empresa ainda não saiu vencedora em nenhum leilão da atual onda de projetos de água e esgoto, realizados após a aprovação da nova lei do saneamento. “Estamos atentos a todas as oportunidades. Vamos buscar um crescimento responsável”, afirma o presidente da companhia, Claudio Abduche.

O executivo avalia que hoje o nível de disputa dos leilões está bastante elevado, o que, segundo ele, é natural neste primeiro momento. “O setor ficou anos sem grandes projetos. Com o novo marco legal e a vinda dos leilões, é normal que exista uma procura forte, temos que nos adaptar. O sarrafo está alto, mas viva a concorrência”, diz o presidente.

A Águas do Brasil, que ainda está entre os maiores grupos privados de saneamento básico do país, opera 13 concessões de água e esgoto, concentradas no Sudeste do país, principalmente no Estado do Rio de Janeiro. Em 2020, a empresa registrou uma receita líquida de R$ 1,25 bilhão, e o lucro líquido dos controladores foi de R$ 216 milhões.

A companhia é considerada forte concorrente no próximo leilão da Cedae, no qual será licitado o lote 3 – que, na última disputa, era considerado o mais desafiador entre os quatro licitados e, por isso, não teve ofertas. Agora, o bloco está sendo reformulado pelo BNDES para se tornar mais atrativo ao setor privado.

Hoje, a Águas do Brasil já opera, em parceria com a BRK Ambiental, uma concessão na zona oeste da capital fluminense, região que integra o bloco 3. As duas empresas mantiveram a parceria para participar do último leilão da Cedae, porém, surpreenderam ao não apresentarem oferta pelo lote 3, onde já estão presentes. Além disso, os demais lances do consórcio no leilão ficaram bem abaixo de concorrentes como Aegea e Iguá.

Segundo Abduche, as oportunidades que serão estudadas pela companhia independem da região. “Já estudamos projetos no Nordeste, no Norte. Temos interesse desde que haja viabilidade e retorno”, diz ele. O grupo também avaliará tanto blocos regionais quanto projetos municipais de maior porte. “Contratos em cidades de 15 mil, 30 mil habitantes estão fora do radar.”

Para garantir o financiamento da expansão, a empresa conta com sua capacidade de endividamento e com novas parcerias, afirma o presidente.

A avaliação é que a empresa tem bastante espaço em seu balanço para contrair novas dívidas, e a alavancagem financeira é considerada conservadora. Em julho de 2020, a relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) era de apenas 1,4 vez, segundo relatório da Fitch Ratings.

Questionado sobre as possíveis parcerias em avaliação pela Águas do Brasil, Abduche afirma que poderão se dar “no andar de cima ou de baixo” – ou seja, tanto com a entrada de sócios no capital da companhia quanto na formação de consórcios nos leilões. Porém, trata-se de uma decisão dos sócios, diz ele.

A companhia tem três grupos como acionistas: a Developer S.A. (formada por quatro sócios, entre eles Carlos Henrique da Cruz Lima e uma empresa da família Backheuser); a Queiroz Galvão e a New Water Participações.

Em relação à crise hídrica que afeta a região Sudeste, Abduche afirma que alguns sistemas operados vivem situação mais delicada, como as cidades serranas de Nova Friburgo (RJ) e Petrópolis (RJ). Porém, ele diz que os investimentos feitos nos últimos anos reforçaram os pontos de abastecimento e deverão dar segurança durante o período seco. Em relação àdemanda de energia, ele também afirma que investimentos em eficiência energética e geração distribuída deram segurança ao fornecimento.

 

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