Aegea e Iguá buscam soluções para Cedae

Valor Econômico
16/08/2021

Por Gabriel Vasconcelos

Companhias, que venceram concessão de água e esgoto no Rio, estruturam financiamentos— Do Rio

Vencedoras do leilão de concessão dos serviços da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), os grupos Aegea e Iguá buscam soluções financeiras para arcar com as outorgas bilionárias, que começam a ser pagas, e fazer frente aos primeiros investimentos requeridos nos contratos.

A Aegea estuda fazer emissões de títulos de dívidas dentro dos próximos doze meses, inclusive para pessoas físicas. Outro caminho certo é tomar empréstimos com prazos superiores a 20 anos com bancos públicos, preferencialmente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No caso da Iguá, além desse financiamento de longo prazo, uma carta na manga pode ser retomar o processo de abertura de capital na bolsa. O pedido foi cancelado em julho e, por ora, segue fora do radar, informou o diretor financeiro Felipe Fingerl.

Em paralelo, as duas empresas pretendem disputar outras licitações pelo país ainda neste ano. Mesmo após pagarem ao governo do Rio um total de R$ 14,7 bilhões relativos às primeiras parcelas das outorgas da concessão da Cedae.

A Aegea arrematou os blocos 1 e 4, que reúnem as zonas Sul e Norte da capital, além de 26 municípios do interior. A Iguá ficou com o bloco 2, referente à zona Oeste e duas cidades do centro-sul do Estado.

As empresas se valeram de empréstimos-ponte junto a bancos privados para honrar compromissos assumidos. O restante foi capital próprio. Apesar do esforço financeiro, executivos das companhias afirmam não haver impeditivo para propostas nos próximos certames, o que atribuem ao fato de os projetos na área de saneamento se pagarem isoladamente e também à disposição dos acionistas em fazer novos aportes.

Ao Valor, o presidente da Aegea, Radamés Casseb, disse que os alvos preferenciais da empresa são os leilões do Amapá, em 2 de setembro, do bloco remanescente do Rio, e do interior de Alagoas, no início de 2022.

Previsto para dezembro, o novo leilão do Rio deve ser o mais caro. Na sexta-feira, o governador Claudio Castro (PSC) falou em outorga mínima de R$ 2,6 bilhões, podendo chegar a R$ 3 bilhões pela concessão dos serviços em bairros da zona Oeste da capital e, pelo menos, 17 municípios do interior. No certame de abril, com sete municípios, o bloco ficou ofuscado pelos demais.

A Aegea tem hoje 56% do mercado privado de saneamento do país e, segundo Casseb, quer garantir 60% nas próximas décadas. A meta exige presença em novas licitações. Hoje, só 16% do saneamento do país é gerido por empresas privadas, percentual que deve escalonar nos próximos anos, com a consolidação do novo marco do setor.

A curto prazo, porém, a empresa terá de combinar os esforços de expansão com o equacionamento dos investimentos iniciais no Rio e a quitação do empréstimo-ponte de R$ 7,8 bilhões que contraiu com sindicato de onze bancos liderados por Itaú Unibanco e J.P. Morgan. A operação tem prazo de pagamento de 30 meses e deverá ser refinanciada junto ao BNDES e agências de fomento.

Na fase de negociação para contratar novo empréstimo, que substituirá o de curto prazo, a Aegea ainda não contará com a geração de caixa dos serviços de água e esgoto no Rio. Isso porque até o primeiro trimestre de 2022 a Cedae fará a operação assistida, etapa de transição até o serviço ser de fato assumido pelo setor privado.

Do empréstimo, R$ 5,3 bilhões foram desembolsados para a primeira das três parcelas de outorga, que custou R$ 10 bilhões. O restante servirá à segunda parcela da outorga, de R$ 2,31 bilhões, no início de 2022. A terceira e última parcela, de R$ 3,08 bilhões, a ser quitada em 2025, deve contar com a geração de caixa do negócio.

Para pagar a primeira parcela da outorga, a Aegea colocou R$ 4,7 bilhões em capital próprio, dinheiro que veio do caixa da empresa e de aumentos de capital dos quais o mais relevante foi a emissão de ações preferenciais no valor de R$ 3,21 bilhões subscritas pela Itaúsa e pelo Fundo Soberano de Singapura GIC, que são acionistas da empresa. Completa o quadro de sócios o fundo Equipav, de duas famílias do interior de São Paulo.

Antes do leilão da Cedae, em abril, o BNDES divulgou carta de intenção sobre linhas para financiar até 30% das outorgas mínimas e 55% dos investimentos previstos nos contratos de concessão. A concorrência levou o valor global das outorgas a R$ 22,6 bilhões, quando o valor mínimo era de R$ 10,6 bilhões. O BNDES financiaria até R$ 3,2 bilhões em outorgas para todos o universo de vencedores. O montante está aquém das necessidades das concessionárias e nessas condições as empresas terão que ir a mercado para se financiar.

“O BNDES está nos planos. Mas como o projeto é grande e os valores são elevados, a gente também conta com o mercado de capitais local e internacional. No Brasil estamos falando de debêntures de infraestrutura com prazo acima de dez anos”, diz André Pires, diretor financeiro da Aegea. Ele diz que essa emissão pode acontecer dentro dos próximos 12 meses. “É bem possível fazer uma mescla entre mercado de varejo e investidores maiores, como fundos de pensão.

Fingerl, da Iguá, diz que a empresa vai participar de licitações futuras, mas não fará “loucuras” para expandir. Ele não descarta emissão de debêntures de infraestrutura, o que dependerá do momento dos mercados de crédito e de capitais.

O projeto da Iguá no Rio também conta com empréstimo-ponte de R$ 4 bilhões junto a quatro bancos privados. Os recursos servem às duas primeiras parcelas da outorga de R$ 7,28 bilhões. Para a primeira, de R$ 4,73 bilhões, houve captação de R$ 2,4 bilhões entre acionistas, mediante aumento de capital e emissão de debêntures conversíveis. Além disso, a companhia controlada pelo fundos IG4 Capital com participação do canadense AIMCo e da BNDESPar, planeja levantar R$ 2,7 bilhões para investimentos nos dez primeiros anos de atuação no Rio.

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

SCS - Quadra 01 - Bloco H - Edifício Morro Vermelho - 16º andar - CEP: 70399-900 - Brasília-DF - Tel/Fax.: 55 61 3022-9600

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?